Mensagem do Vice-Presidente da República, no exercício da presidência, Dr. Marco Maciel ao Dr. Joal Teitelbaum, organizador do I Seminário Internacional de Rotas de Intregração do Cone Sul
Brasília, 6 de dezembro de 1999


Caro Dr. Joal Teitelbaum,

Peço-lhe transmitir aos participantes do I Seminário Internacional de Rotas de Integração do Cone Sul que era minha intenção estar nesta data em Porto Alegre, para transmitir-lhes de viva voz o entusiasmo que sinto pelo processo de integração do Mercosul e pela confiança que tenho no futuro da economia regional, conforme lhe expressara por ocasião da audiência que lhe concedi em Brasília. Em meu gabinete, em outubro passado.


Audiência em Brasília
dia 30 de Agosto de 2000
com o Vice-Presidente da
República, Marco Maciel,
estando a sua direita o
presidente do Comitê das
Rotas de Integracao da
América do Sul, Joal
Teitelabum e a esquerda
o Representante
(da CCIBC) em Brasília,
Kleber Farias Pinto.

Infelizmente, ao responder interinamente pela Presidência, face à viagem do Presidente Fernando Henrique Cardoso ao exterior, vejo-me impossibilitado de deixar Brasília. Envio-lhe, então, esta breve mensagem de êxito, solicitando que transmita aos estrangeiros que nos visitam meus melhores votos de feliz estada no Brasil.

No mundo em que vivemos, caracterizado pelo aumento da competição, a união é a melhor alternativa para possibilitar a criação de entidades economicamente sólidas, capazes de participar, com melhores perspectivas de sucesso, do mercado em globalização em expansão.

Assim, a unidade regional, que antes foi o sonho dos libertadores Bolívar e San Martin, hoje se transformou no imperativo de nossa realidade imediata e no caminho que viabilizará, para os povos do continente, o ideal de prosperidade que todos almejamos. Em Porto Alegre já se sente mais de perto a realidade da integração do Mercosul. Mas à medida que progride o processo, outras regiões deste grande país vão sendo atraídas para o grande projeto de união que estamos construindo.

A América do Sul é uma das mais ricas regiões do planeta. Nela vicejam florestas dos mais variados tipos, nela há recursos de subsolo em profusão, nela vivem povos que têm dado mostras de estimulante maturidade política e de disposição para o trabalho e a criação.

Vivemos momentos de espectativas promissoras no continente: em primeiro lugar, porque fomos capazes de fazer a transição do autoritarismo para a democracia de forma marioritariamente pacífica; em segundo lugar, porque tivemos a coragem necessária para fazer reformas estruturais modernizadoras, mormente na área fiscal; além disso, porque fomos superando, de forma ordenada, os impactos das crises forâneas que se abateram, neste fim de década, sobre as economias doe nossos países e, finalmente, porque demonstramos capacidade de superar tais ambientes externos e para encaminhar, de forma ordeira, as soluções para nossas próprias contradições e deficiências internas.

As crises que vivemos são, assim frutos de conjunturas adversas passageiras, que estamos vencendo. As mudanças de governo ocorrem quase simultaneamente na Argentina, no Uruguai e na Guatemala. Às quais se seguirá a do Chile, são sucessões exemplarmente pacíficas que caracterizam a rotina democrática que vamos incorporando ao nosso processo político, depois da conturbada década de 80.

O grande desafio diante de nós é o de vencer de maneira pacífica e dentro da mesma ordem democrática que tanto prezamos, a questão das desigualdades sociais. A pobreza não pode conviver com a prosperidade que enseja o processo de integração.

O novo milênio que logo se iniciará há de reservar para a América Latina papel de relevo no plano internacional e um nível de vida mais elevado a sua população. Tais conquistas serão tanto mais significativas quanto mais consolidada estiver a integração regional.

Estou seguro que os participantes do Seminário têm bastante presente que eventuais percalços no processo de aproximação constituem apenas fenômenos de conjuntura, que certamente serão superados com rapidez. Nossa História, no século XXI, será a da integração e do entendimento.

Ao expressar meus melhores votos de Natal e Ano Novo, reitero lamentar não poder comparecer à cerimônia de abertura do Seminário, congratulando-me com Vossa Senhoria pela iniciativa e augurando êxito nas deliberações que ora se iniciam, certo de que a perspectiva da construção de nosso grande futuro conduzirá ao entendimento e ao sucesso.

Cordialmente, o abraço

Marco Maciel
(Vice - Presidente da República)