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PALAVRAS
PROFERIDAS PELO PRESIDENTE DO COMITÊ DAS ROTAS DE INTEGRAÇÃO
DO CONE SUL, JOAL TEITELBAUM, NA SESSÃO SOLENE DE INSTALAÇÃO
DO II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DAS ROTAS DE INTEGRAÇÃO
DO CONE SUL, DIA 06 DE OUTUBRO DE 2000.
" Se não tivermos os caminhos, não iremos a lugar algum".
Aqueles que
aqui estiveram em dezembro de 1999, recordam-se que nossas palavras foram
proferidas, tendo projetado ao fundo uma transparência na qual era
apresentado o mapa-mundi e nele evidenciados a União Européia,
o Nafta e a América do Sul.
Naquela apresentação
evidenciava-se que as três regiões possuem populações
idênticas, contudo o PIB da América do Sul é da ordem
de 7 a 8 vezes menor que o do Nafta ou aquele da União Européia.
Joal
Teitelbaum, presidente
do Comitê das Rotas de
Integração da América do Sul.
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Nestes
onze meses o que mudou?
Em
relação a esta disparidade sócio-econômica,
pouco ou quase nada.
Mas
quanto ao rumo e ao posicionamento político a serem seguidos
para enfrentar esta disparidade, houve uma mudança fundamental.
Referimos-nos
a histórica decisão de caráter político
que os doze Chefes de Estado da América Sul, convergentemente,
adotaram dias 31 de agosto e 1o de setembro últimos na reunião
realizada em Brasília, e que de um total de 62 itens abordando
os temas Democracia, Comércio, Infra - Estrutura e Integração,
Drogas Ilícitas e Delitos Conexos, e ainda Informação,
Conhecimento e Tecnologia, contemplou a Infra - Estrutura e Integração
com 11 tópicos.
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A partir
destas decisões de amplitude continental e transcedental, pois,
pela primeira vez todos os Presidentes do Continente Sul-Americano estiveram
reunidos e onde reafirmaram o espirito de entendimento e harmonia, não
pode pairar qualquer dúvida sobre quais os rumos que a América
do Sul passará a se reger e quais as ações que nossos
governos e a sociedade civil irão desenvolver.
Os Presidentes
consideraram prioritária a identificação de obras
de infra-estrutura de interesse bilateral e sub-regional e destacaram
o papel fundamental do setor privado nesta empreitada.
Há
um macro significado na reunião dos Chefes de Estado de todos os
Países do Continente Sul - Americano e igualmente projeta-se a
dimensão que alcança este II
Seminário
Internacional das Rotas de Integração do Cone Sul que reúne,
pela primeira vez e apenas 35 dias após a recente e histórica
decisão política, participantes de governo, da sociedade
civil do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador,
Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e dos mais importantes organismos
de fomento do Continente, quais sejam o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento
e a CAF (Corporação Andina de Fomento), consolidando a ação
participativa e convergente das três forças que, em conjunto,
conduzirão a América do Sul ao desenvolvimento harmônico,
quais sejam: Governo, Sociedade Civil e Organismos de Fomento, em um Projeto
o qual se denominou "PROJETO AMÉRICA DO SUL".
A Sociedade
Civil é a catalizadora do processo, tem responsabilidades no mesmo
e é parte integrante a este novo cenário.
Tem-se um
outro cenário para a América do Sul.
Um cenário
que se caracteriza por ações como estas que estamos a presenciar
neste II Seminário Internacional das Rotas de Integração
do Cone Sul.
Um cenário
não mais dilacerado por rivalidades e confrontos.
Um cenário
no qual a sinergia é o vetor entre os Países da América
do Sul nas reuniões em que se prepara a região para o advento
da ALCA em 2005.
Um cenário
de aproximação entre o Mercosul e seus dois associados e
a Comunidade Andina, integrando-se também a Guiana e o Suriname.
Um cenário
onde aqueles que dele participam, nas reuniões promovidas pelo
World Economic Forum na Cúpula Econômica para o Mercosul/Cone
Sul, proporciona o entrosamento entre os Governos e a Sociedade Civil.
Um cenário
promovido pelo Comitê das Rotas de Integração do Cone
Sul, entidade que surgiu em 1996 para estudar uma ligação
bioceânica Atlântico-Pacífico, deu passos na integração
física do Mercosul, posteriormente ampliado ao Cone Sul e hoje,
por seu Marco Institucional de dezembro de 1999 e a ser complementado
no Marco Institucional deste II Seminário, oficializa sua abrangência
aos 10 países de origem ibérica da América do Sul
e convida oficialmente à Guiana e ao Suriname para se integrarem
ao Comitê e, ainda, convida, na qualidade de observador, a Guiana
Francesa.
Eis, portanto,
o novo Cenário que se reflete neste evento, neste ato, neste Seminário
Internacional das Rotas de Integração do Cone Sul, que reúne
de forma transparente, objetiva, ao mesmo tempo respeitosa e com simplicidade
informal, Governo e Sociedade Civil juntamente com as entidades de fomento.
Esta é
a grande transformação que a América do Sul oportuniza
e dá o exemplo. A presença dos Senhores Diplomatas, dos
Senhores Ministros, dos responsáveis por organismos e instituições
públicas, de presidentes de entidades empresariais nacionais, bi-nacionais
e internacionais, de representante do World Economic Fórum, de
delegações do BID, da CAF e do BNDES e que com sua participação
se integram as ações do Comitê, agora de fato e por
mérito, um Comitê de Rotas de Integração da
América do Sul e formatam um projeto que se denominou PROJETO AMÉRICA
DO SUL.
A construção
deste cenário merece agradecimentos. Agradecimentos a todos aqui
presentes, as Autoridades de Governo, a Sociedade Civil, as instituições
de fomento e crédito como o BID e a CAF, a todas entidades e componentes
já nominados destas palavras, aos meios de divulgação
que vem distinguindo o Comitê de uma forma positiva e objetiva ,
a FIERGS, que nos abriga neste II Seminário como já o fizera
também quando da realização do I Seminário
Internacional das Rotas de Integração do Cone Sul, aos apoiadores
institucionais deste evento e em particular aos associados da Câmara
de Comércio e Indústria Brasil-Chile, que desde os primeiros
passos também proporcionaram o seu apoio.
Permitam-me,
todavia, um agradecimento todo especial as autoridades diplomáticas
dos Países da América do Sul que através dos Embaixadores,
Ministros, Cônsules-Gerais e Cônsules, desde 1996 vêm,
em um crescendo, participando e aportando projetos do maior significado
para a integração Continental.
Há
um agradecimento que é aquele que na qualidade de Presidente do
Comitê faço-o com muito orgulho. É o agradecimento
ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
O Comitê
das Rotas de Integração do Cone Sul, desde seus primórdios,
teve, através do Senhor Ministro Luiz Felipe Lampreia, por sua
internacionalmente reconhecida visão de estadista , uma atenção
que permitiu ao Comitê firmar e dar continuidade aos seus objetivos.
O Senhor Ministro Luiz Felipe Lampreia que se encontra acompanhando o
Excelentíssimo Senhor Presidente da República em viagem
ao exterior, designou como seu representante pessoal, o Ministro Pedro
Fernando Bretas Bastos. É, pois, uma constatação.
Em qualquer momento o Ministério das Relações Exteriores
do Brasil, quer por seu Ministro assim como pelos organismos que se vinculam
ao processo de integração física e seu Escritório
de Representação em Porto Alegre, chefiada pelo Embaixador
Jorge Carlos Ribeiro, deixou de acompanhar e orientar a esta presidência
na construção desta geometria multi-espacial
e que está permitindo a participação do Comitê
das Rotas de Integração do Cone Sul na formatação
da infra-estrutura física do Continente.
Espera-se
deste Seminário resultados significativos; e isto é balizado
pelos 17 estudos e projetos que estão em análise e originarão
as proposições básicas e serão integrantes
ao Marco Institucional a ser apresentado na reunião de encerramento
hoje a tarde.
As cifras
estimadas para um prazo de 5 a 8 anos se situam no entorno de 125 bilhões
de dólares americanos.
É
chegada a hora de adequarmos o ritmo do desenvolvimento social e econômico
da América do Sul àquele conquistado pela União Européia
e Estados Unidos e Canadá, única forma e fórmula
de diminuirmos as distâncias sociais entre as regiões.
E esta é
a missão que os Governos, a Sociedade Civil e os Organismos de
Fomento têm a sua frente : em uma ação tri-partite
concretizar estes recursos financeiros, materiais e humanos.
Quinhentos
anos são passados da chegada das caravelas. É tempo de uma
nova América do Sul e não há quem duvide que todos
nós somos partícipes.
CONTUDO,
TEMOS QUE SER PARTÍCIPES NÃO COMO SIMPLES ATORES, MAS COMO
PROTAGONISTAS.
Sejam todos
muito bem vindos. Muito Obrigado.
Joal
Teitelbaum
Presidente do Comitê das Rotas de Integração
do Cone Sul
Momentos de descontração durante o
II Seminário Internacional das Rotas de Integração da América do Sul
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